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Um Outro Olhar    

Outros textos:

Nº 3

No âmbito da Semana da Leitura promovida pelo PNL, publicamos o terceiro texto deste espaço:

 

 

Em 2005, frequentava o 10º ano em Artes, na Escola Secundária de Santo André, no Barreiro e foi nessa altura que li o  livro “Flor do Deserto” que me marcou até hoje. A leitura deste livro abriu-me os olhos para o que se passava e continua a passar no mundo com muitas mulheres. Escrito por Waris Dirie, conta na primeira pessoa a história de vida da escritora. Esta nasceu no deserto da Somália mas, aos treze anos, fugiu para a casa da avó, para não se tornar a terceira esposa de um homem mais velho. Por sua vez, para impedir o casamento, a sua avó mandou-a para Londres, para casa de uns familiares, trabalhar como empregada doméstica. Anos mais tarde, ao ficar amiga de uma inglesa descobriu que era diferente das mulheres do ocidente porque aos três anos, tinha sido circuncisada, ou seja, tinha sofrido uma mutilação genital, prática comum em muitos países africanos.

 

A mutilação genital feminina (MGF) refere-se aos procedimentos que envolvem a remoção parcial ou total dos órgãos genitais externos femininos ou qualquer outra lesão nos órgãos genitais das mulheres sem justificação médica. Tradicionalmente a circuncisão é feita com uma lâmina e sem qualquer anestesia. Apesar de ser reconhecida como uma violação dos direitos humanos, cerca de 68 milhões de raparigas continuam em risco de sofrer mutilação genital até 2030.”  

 

 

Esta prática é realizada por motivos culturais, por que se acredita que se uma mulher for circuncisada é pura e preservou a virgindade para o seu futuro marido. No entanto, esse ato desumano deixa marcas profundas nas mulheres que são submetidas a esta mutilação, tal como refere Waris, no seu livro.

 

           “Sinto que Deus deu-me um corpo perfeito quando nasci, Depois,

             os homens roubaram-me, tiraram-me o meu poder e deixaram-me aleijada,   

            minha feminilidade foi roubada.

            Se Deus quisesse que não tivéssemos essas partes do corpo, por que as criaria? 

 

 

 

Esta prática também desmascara a suposta igualdade entre os sexos, pois na verdade, a mulher continua a ser considerada um ser inferior em muitos aspetos para além deste que é inconcebível em pleno século XXI, emprego, igualdade de oportunidades, entre outros, mesmo nos países mais desenvolvidos.

 

Apesar desta tortura, mais tarde, a autora torna-se uma modelo internacional e aproveitou a sua carreira para denunciar esta prática que, na minha opinião, é abominável.

Runa Francisco

(Candidata em Processo RVCC-NS)

Fonte: Parlamento Europeu

Dirie, W. e Miller, C. in Flor do Deserto

Flor do Deserto
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Publicado a 11.03.2021